Além dos vários possíveis danos à saúde física de quem contrai a COVID-19, os riscos da pandemia à saúde mental preocupam especialistas.

Durante o Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio, o tema voltou com tudo. Isolamento, crise econômica, desemprego ou possibilidade de desemprego e a própria ansiedade em relação à contaminação com a doença são alguns dos fatores que estão afetando nossa mente nos últimos meses.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

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Como a pandemia afeta nossa saúde mental?
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Esse novo normal que vivemos ainda não é normal para o cérebro humano, diz a pesquisadora Susan Whitbourne, da Universidade Columbia.
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"Estamos olhando para um abismo e não conseguimos ver em que ponto ele termina".
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Segundo ela, nossos corpos e mentes não estão acostumados a lidar com esse desgaste constante, que é a maior coisa que muitos de nós já enfrentamos.

Enquanto algumas pessoas lidam com os desafios usando a criatividade, é normal sentir dificuldades, diz Whitbourne.
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"A pressão sanguínea aumenta, os processos cognitivos ficam mais difíceis, e você se vê distraído, aflito e ansioso".
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Para a pesquisadora, esses efeitos vão melhorar conforme a ameaça da pandemia diminuir.

Pandemia e os transtornos de ansiedade: como lidar?

Mas... o que é a ansiedade?
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A ansiedade é uma reação comum do nosso corpo que nos deixa preparados para fugir ou lutar devido a algum perigo próximo. Vale destacar que não é um fator externo não-material que altera nosso corpo, mas um fenômeno emocional do nosso organismo que a gente interpreta seguindo alguns padrões.⠀⠀⠀⠀⠀⠀

"Se a pessoa tem ansiedade, o corpo dela já está alterado", explica o professor Bruno Rezende, pesquisador do Núcleo de Neurociências da UFMG.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
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Por exemplo, se você tem um encontro amoroso ou uma entrevista de emprego, é normal que você fique ansioso. Esse fenômeno já muda todas as características do nosso corpo:
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Pandemia e os transtornos de ansiedade: como lidar?
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No caso do transtorno de ansiedade, o sistema de fuga ou luta ocorre o tempo todo, com isso, as alterações no corpo são muito diversas.
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Como controlar a ansiedade nesse período de Pandemia?
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- A enxurrada de notícias pode causar ansiedade.
Procure informações e atualizações no máximo uma ou duas vezes ao dia, em fontes confiáveis, como o site da OMS.
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- Esteja atento a seus sentimentos e demandas internas.
O exercício constante, o sono regular e uma dieta balanceada ajudam.
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- Proteja a si próprio e apoie os outros.
Um exemplo: telefone para seus vizinhos ou pessoas em sua comunidade que precisam de assistência extra.
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- Mantenha sua rede de amigos.
Você pode manter o contato com e-mails, redes sociais, telefone, etc.
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- Mantenha as rotinas familiares sempre que possível.
Atenção aos horários de alimentação e hábitos de higiene, como a lavagem das mãos.⠀⠀⠀⠀
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- A doença não tem relação com nacionalidades ou etnias.
Seja empático com os afetados em qualquer país. Não adianta controlar a sua ansiedade e afetar a dos outros.
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Pandemia e os transtornos de ansiedade: como lidar?
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O mês de setembro é mundialmente lembrado pela prevenção do suicídio, chamado também de Setembro Amarelo. O assunto que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação.
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Inquietação / Instabilidade emocional / Impulsividade / Conflitos familiares / Solidão
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Quando se percebe a inquietação das pessoas em face do isolamento, configura-se a situação da solidão como fator predisponente do processo de suicidar-se; a instabilidade emocional, a impulsividade agravadas pelos conflitos familiares nesta convivência forçada, a situação financeira por perda de emprego ou trabalho, a agressividade emergente em situações defensivas, o afastamento de atividades sociais como não estar com os amigos, não ir à igreja, não comparecer aos eventos e outras mais.
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Contudo, há também os fatores protetores e atitudes que podem minimizar a situação de crise.
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- Receber e dar um telefonema a um amigo ou familiar
- Assistir lives significativas
- Descobrir novos talentos
- Ter ações de solidariedade
- Sentir-se amado
- Amparar-se na leitura de clássicos e em filmes
- E principalmente: falar com alguém
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Mesmo que um desconhecido, como o voluntário do CVV, sobre suas dores e sofrimentos e outras formas de cuidado consigo e com o outro.
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Pandemia e os transtornos de ansiedade: como lidar?